Moxabustão
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A moxabustão é uma técnica terapêutica da Medicina Tradicional Chinesa. Baseia-se nos mesmos princípios e conhecimentos dos meridianos de energia utilizados na acupunctura, sendo amplamente utilizada em outros sistemas de Medicina Oriental tradicionais como: Japão, Coreia, Vietname, Tibete e Mongólia. Esta prática, pela documentação antiga existente, parece ser anterior á acupunctura.

Originou-se no norte da china, moxabustão – Jiú (pinyin) significa literalmente, “longo tempo de aplicação do fogo”, sendo considerada uma espécie de acupunctura térmica, feita pela combustão da erva Artemísia sinensis e Artemísia vulgaris. A cauterização, da qual deriva a moxa, foi um desenvolvimento que se seguiu ao uso do fogo. Considerou-se que o aquecimento e a sensação de bem-estar que o fogo propiciava á vida nas cavernas frias e húmidas, assim como as curas furtivas que ocasionalmente aconteciam do toque de um carvão acesso ou pedaço de lenha em brasa, foram os primórdios da cauterização.

A cauterização como método de curar doenças usava originalmente ramos e outros materiais combustíveis comuns. O uso de plantas como principal substância de combustão, data do último período Chou. O livro de Mencios (290 a.C.) refere-se a esta planta (artemísia) “para uma doença de sete anos, procure moxa (artemísia) de três anos de idade)”. Isto sugere que o seu uso já era difundido naquele tempo. Antigamente, praticava-se geralmente o método de cauterização directa, aplicando-se o material combustível directamente sobre a pele. As instruções são encontradas no tratado Tradicional de Zuo (581 a.C.) “acima ou abaixo dos vitais, a cauterização directa não pode ser usada”. Num outro livro “O livro dos segredos de Bian Que”, é mencionado fazer-se moxa para as pessoas dormirem. O clássico de Medicina da Dinastia Han Oriental “Discussão das doenças causadas pelo frio”, também refere as doenças para o qual a cauterização directa é permitida ou proibida.

Naquele tempo, o tamanho da mecha ou cone de moxa era grande e para cada tratamento um grande número de moxa era usado. Mais tarde, nas Dinastias Tang e Song, eram prescritos mais de 100 cones de moxa. Durante as Dinastias Jin e Tang, foi desenvolvido um método de cauterização indirecta, no clássico “Receitas dos mil ducados” vários métodos são discutidos, incluindo colocar a moxa sob um folhado de outros materiais, tais como alho, feijão-soja, cera de abelha, sal ou gengibre, e então queimá-la, no mesmo livro, é descrito um método para tratar doenças auriculares através do qual um tubo de bambu vazio é colocado no orelha e a moxa queimada na outra ponta. Este método era denominado de cauterização com tubo ou cilindro e foi o percursor da técnica moderna do “cilindro aquecido”.

Outro método, inventado na Dinastia Ming (1368-1332 d.C.) era utilizar um ramo de árvore de pêssego ou de amora, que era mergulhado em óleo de gergelim para ser acesso e apagado, então o bastão aquecido era embrulhado com papel macio e era passado como um ferro sobre determinada área da pele. Num desenvolvimento posterior, o pó de moxa seca triturada e outras ervas eram enroladas juntas em bastão com forma de charuto, para ser seguro em uma ponta e ser queimada na outra extremidade a uma pequena distância da pele. Este método ainda é bastante praticado actualmente. Na Dinastia Song (960-1279 d.C.) existem referências em livros médicos sobre cauterização natural ou espontânea, por meio do uso de ervas conhecidas pelas suas propriedades irritantes (ex: Rhus toxicodendron, emplastro de mostarda etc.), que eram friccionadas sobre a pele, produzindo lesão tipo bolha.


moxabustao_02O efeito da moxa é semelhante á acupunctura, que age estimulando os pontos da acupunctura para fortalecer a circulação do Qi (energia) e do sangue, sendo que a moxa estimula com o calor. No capítulo 75 do Ling Shu está escrito “quando o sangue nos vasos torna-se estagnante ou fica bloqueado, deve ser tratado somente pelo fogo”. Esta e outras passagens descritos nos livros antigos, ilustram bem as funções da moxa.





Num texto antigo da Dinastia Tang “receitas dos mil ducados” afirma “a pessoa que aplica diariamente ao ponto Zusanli (E-36) estará livre de uma centena de doenças”, e assim o faziam as pessoas nessas épocas principalmente se tinham de viajar para outras localidades, para assim se protegerem das “energia perversas” dessas localidades a que não estavam acostumadas.moxabustao_01

O calor da moxabustão é extremamente penetrante, tornando-se eficaz quando há menos circulação, condições frias e húmidas, além da deficiência do Yang. Quando aplicada aos pontos de acupunctura específicos com deficiências do Yang, o corpo absorve o calor recuperando mais rapidamente o Qi (energia) do Yang do corpo e o “fogo ministrial” fonte de todo o calor e energia do corpo. As folhas frescas da planta Artemísia são colhidas na primavera e expostas ao sol para secarem, em seguida são trituradas, examinadas e filtradas para remoção de areia ou talos mais grosseiros, posteriormente, posto de novo ao sol, repetindo-se este processo até se obter a consistência desejada que é um pó fino, macio e claro.
 






A moxa ou mogusa (termo de origem japonesa) é confeccionada com as folhas secas da erva medicinal Artemisia sinensis ou Artemisia vulgaris, enroladas em formato de bastão ou de pequenos cones. A Artemísia tem o poder de extrair a energia Yang do Yin.

As principais indicações para o uso da moxa são para crianças, velhos, e quando o doente estiver muito enfraquecido ou magro.



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A moxa a usar directamente sobre a pele (método directo) deve ser extremamente fina, para que possa ser amassada e moldada com as mãos em minúsculos cones, firmes e que não se devem desfazer, para o uso indirecto (não encostar na pele) não é necessário ser tão fina, esta é enrolada fortemente em papel especial de cerca de 15 cm de comprimento, pode ser adicionado pó de outras plantas, formando-se então os bastões ou “charutos” que servirão uma vez acessos numa extremidade para aquecer os pontos ou áreas do corpo.




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Uma técnica muito utilizada na china actual é a moxa acesa, que serve para aquecer áreas maiores do corpo e por tempo mais prolongado, a moxa é colocada num instrumento próprio tubelar ou outros formatos com fundo de rede, ficando a secção de combustão da moxa afastada da pele o calor é directamente transmitido a esta. A moxabustão como em todas as terapias que se utilizam instrumentos, dever-se-á ter alguns cuidados e precauções que qualquer profissional conhece perfeitamente, algumas dessas precauções são: não aplicar moxa em síndromes de calor com deficiência do Yin (ex: menopausa ou febre alta); não produzir cicatrizes com moxa; não usar moxa na região lombosacra em mulheres grávidas, e seguir sempre os princípios básicos de diagnóstico da MTC.

Como Curiosidade

A palavra moxabustão parece ser um termo que deriva do português antigo Mechia e do Japonês Mogussa. Devemos recordar que os Jesuítas e os portugueses tiveram influência em várias partes do Oriente, China, Japão, Malásia, Índia e concretamente em várias partes da China e Japão, onde resultou que a palavra mechia foi usada no lugar de Jiu, já que esta técnica lembra uma mecha a queimar, e no Japão quando um francês estava a aprender a técnica ele ao perguntar ao Japonês do que se tratava, este respondeu que era mogussa uma erva usada pelos Japoneses no lugar da Artemísia vulgaris. O Francês não entendia o Japonês, tentou dar-lhe um nome em francês, bustion, daí o termo ter-se propagado como Moxabustão que é a soma de mochia + bustion. Actualmente o Japão é o maior produtor de Moxa.

http://www.medicinachinesapt.com/moxabustao.html


Artemísia


ARTEMÍSIA

TIPOS E NOMES CIENTÍFICOS:
• ARTEMISIA VULGARIS* (BRASIL)
• ARTEMISIA ARGYI
• ARTEMISIA SINENSIS
• ARTEMISIA URENS
(*) Sinonimia: Artemigem, artemísia verdadeira, erva de São João.

FAMÍLIA: COMPOSITAE (COMPÓSITAS).

CARACTERÍSTICAS: Perene, Vivaz, Cheiro penetrante, sabor picante e amargo, natureza quente (Yang). Suas hastes são cobertas parcialmente por uma penugem clara. Suas folhas não tem pêlos, são verdes por cima e prateadas por baixo. É uma planta herbácia de mais ou menos um metro de altura, folhas fendidas, numerosas flores brancas. Floresce em Outubro

REGIÕES: Áridas, frias e temperadas do Hemisfério Norte.
Nos lugares incultos, beiras de caminhos, sebes , moitas e nos terrenos argilosos alagadiços das planícies. São resistentes e por esta razão encontram-se disseminadas por todo globo. Comuns na França, na China, a melhor vem do Hubei. Durante seu período, 5 (cinco) dias do quinto mês lunar, na festa de Duan Yang, e feita a colheita.

Valor terapêutico:
A artemísia tem muitas aplicações na medicina doméstica.

Emprega-se para:
Anemia, cólicas, coréia (dança de São Guido), debilidade do estômago, diarréia, enterite, epilepsia, flatulência, gastrite, hidropsia, icterícia, lombrigas, menstruação deficiente, mucosidades, nervosismo, nevralgiase reumatismo. Em casos de doenças reumáticas, fazem-se fricções com o sumo dessa erva sobre partes doloridas. Podem para os mesmos fins aplicar-se também compressas quentes ou cataplasma com o cozimento de artemísia. Não é recomendada esta planta para mulheres que amamentam. A artemísia é inseticida. (pelo princípio ativo da santonina.) Partes usadas: Folhas, flores e raízes. Dosagem: 15 gramas em 1 litro de água, tomar duas a quatro xícaras de chá por dia.

TÉCNICAS DE PREPARO:
• Colher somente parte da planta (Nov. e Dez no Brasil), separar as folhas dos talos e ramos.
• Deixar secar ao sol para desidratar, perdendo 20 a 30% de água, depois deixar secar à sombra.
• Socar cuidadosamente para não destruír as fibras, até semelhança com algodão (pilão de madeira é o ideal).
• Peneirar para retirar o pó.
• Guardar em saco plásticos para não pegar umidade e secar com freqüência para evitar bolor (quanto mais tempo melhor). Quando bem embalado, conserva-se durante 5 a 10 anos. O veludo de artemísia antiga, de coloração amarelada perdeu seus balsamos e, durante a Moxabustão mantêm uma temperatura aproximadamente de 600oC, além disso o veludo não se desagrega. Como sugere Meng Zi no Li Lov Pian "uma doença que dura mais de sete anos deve ser tratada com a artemísia velha , de três anos".
• Como chá e anti febril, adstringente e anti hemorragia, intestinos, desinfetante e vermífugo pode se usar seca ou tostada, usada verde é muito forte e de sabor amargo.
• O princípio ativo da artemísia é a Santonína. A santonina é um excelente vermífugo.

Pode ser aplicada:
diretas (cones queimados sobre a pele).
indiretas (bastão , bastão ou cones c/ anteparos de gengibre, alho, sal, etc./ caixas suspensas).



Conselhos para a prática das moxas


1 - Antes de um tratamento por Moxabustão, deve-se preparar psicologicamente o paciente, para fazê-lo aceitar a eventualidade de uma dor causada pelo calor.
2 - O doente deve ser instalado o mais confortavelmente possível, para que possa, sem cansaço, manter-se na mesma posição durante todo o decorrer do tratamento.
3 - Os pontos utilizados para a Moxabustão são os mesmos que servem para acupuntura, mas a Moxabustão tem a vantagem de provocar no doente uma sensação de descanso e bem-estar.
4 - Com as Moxas Diretas, o efeito é imediato e a ação terapêutica persiste por muito tempo, enquanto que com as Moxas Indiretas o efeito é mais tardio e a duração da ação é mais curta, sobretudo para as praticadas com o bastão de artemísia.
5 - As Moxas serão, no início, aplicadas nos membros superiores e, em seguida, nos inferiores. O tórax e o adbômen são tratados antes das costas e da lombar.
6 - A duração da Moxabustão e o número de Moxas são maiores para a lombar, costa e abdômen, que para o tórax e os membros. O número será ainda mais reduzido para a cabeça e o pescoço. (Seqüência de Aplicação - Escola Japonesa).
7 - Se a Moxabustão tiver que ser associada a uma punctura, deve-se primeiro, inserir e manipular a agulha e depois de extraída, praticar a Moxabustão. Pode-se, igualmente, depois de se ter agulhado e manipulado, fazer queimar uma Moxa sobre a agulha antes de retirá-la (ut infra agulha quente, parte II, cap. 2).
8 - Quando a doença é recente e o organismo ainda resiste, devem-se fazer muitas Moxas e depois reduzir o seu número, pouco a pouco, conforme a melhora. Quando a doença é crônica e o organismo está debilitado, deve-se diminuir o número de Moxas e, em seguida, aumentar quando a doença evoluir favoravelmente.
9 - Pode-se aumentar o número de Moxas para os pacientes jovens e vigorosos. Deve-se diminuir no caso de pessoas idosas e no caso de crianças. Deve-se aumentar o número de Moxas nas síndromes Vazio, Frio, no inverno e nas regiões frias.

EFEITOS DA MOXABUSTÃO
A Moxabustão tem tendência para mobilizar rapidamente o Ch’i. Dessa forma:
• Num caso de debilidade de Yang, com arrepios, transpiração, atordoamento, as Moxas sobre Qihai (RM6) ou Guanyuan (RM4) permitem levar energia ao Centro.
• Num caso de Fogo Vazio, que tem tendência a subir, pode-se fazer descer novamente o Yang, aplicando-se Moxas sobre Qihai (RM6), Guanyuan (RM4) ou sobre as pernas.
• Nos casos de hipertensão arterial, as Moxas aplicadas sobre Susanli E36 (antes usar agulha nos pontos Yinizantes como PC6 e BP4 e/ou R6) ou Fenglong (E40) permitem diminuir a pressão arterial.
• Nos casos de atordoamento por Vazio na cabeça, podem-se fazer Moxas sobre Bahui (DM20). Mas, se os atordoamentos resultam de uma Plenitude ou de um Vento ruim, a Moxa sobre Bahui pode agravar os sintomas, acrescentando-se a febre e as cefálias.
Nesse caso, para restabelecer o equilíbrio, será necessário, em caráter de urgência, praticar Moxas sobre pontos situados na parte inferior do corpo (ex.: R3, R7 e R10).
• As Moxas sobre o umbigo são muito eficazes para tonificar o Ch’i, mas seu abuso pode provocar perturbações do sono. Dessa forma, será necessário ser prudente no emprego da Moxas em jovens. A partir de 40 anos, pode-se fazer um tratamento por ano e dois após os cinqüenta anos.
As Moxas feitas sobre o umbigo aumentam a energia na parte superior do corpo. Quando a constituição do paciente faz com que sua energia suba, as Moxas podem agravar essa tendência, e isso, mais ainda quando o ponto escolhido está situado mais para cima. Para dissimular esse risco, pode-se fazer Moxa nos pontos de baixo, por exemplo:
Taixi (R 3), Fuliu (R 7), Yingu (R 10).
Quando as Moxas são utilizadas abaixo do umbigo, deve-se equilibrar a parte inferior do corpo, mas nesse caso, os pontos previamente escolhidos são somente agulhados.
Após o tratamento por Moxabustão:
O paciente deve beber com moderação e evitar os legumes e frutas cruas, os alimentos gordurosos e o álcool. Além disso, deve-se abster de relações sexuais, manter o espírito calmo e não tomar frio.



LEI DE GERAÇÃO E DOMINÂNCIA - 5 ELEMENTOS




Toda a terapêutica chinesa baseia-se nos mesmos princípios do Taoísmo e do I Ching, cujo conhecimento toma-se indispensável para que se compreendam as regras da acupuntura, da fitoterapia e de outras tantas técnicas, orientais ou não.
O Tao não pode ser definido, só podendo ser compreendido através de percepção direta, pois está além do alcance do racional. Tudo o que for escrito sobre ele não é o Tao verdadeiro, mas, mesmo assim, torna-se necessária a tentativa frustrada de explicá-lo. O termo apareceu primeiramente no Tao Te King (O Livro do Tao e Sua Virtude), de Lao Tsé:"... o Tao é Todo em tudo. Princípio e fim de toda a -existência, está em nós, assim como estamos nele... olhando, não é visto: é nomeado o Invisível; escutando, não é ouvido: é nomeado o Inaudível; tocando, não é sentido: é nomeado o Impalpável... pode-se dizer que é Forma sem forma; Figura sem figura. É o Indeterminado. Indo ao seu encontro, não se vê sua face; seguindo-o, não se vêem suas costas. O Tao é eterno, não tem nome...
Por ser "Todo em tudo", o Tao é indivisível e seu movimento é que nos ilude de que existem objetos separados e distintos uns dos outros. Compreendendo o movimento do Tao, os sábios distinguiram duas categorias básicas a que nomearam Yin e Yang, movimentos opostos, mas que não existem um sem o outro e mais ainda: um nasce do outro e vice-versa, em eterna mutação.

Originariamente, o termo Yin designava o lado escuro da montanha e Yang, o lado iluminado pelo sol. Conforme este se desloca, gradativamente, o lado escuro se ilumina, e o claro enegrece, ou seja, Yang se transforma em Yin e Yin em Yang, mostrando a relatividade dessas palavras.

Desse modo, nada é só Yin ou só Yang, a não ser quando comparados entre si. Por exemplo: o positivo é Yin e Yang. O negativo também é Yin e Yang; entretanto, quando comparados entre si, podemos dizer que o positivo é Yang, e o negativo é Yin, relativamente.

Observem o símbolo do Tao: cada lado vai crescendo e quando atinge o seu auge, dá nascimento ao seu oposto, o qual igualmente cresce e ao atingir o seu auge, também dá nascimento ao seu contrário. Na Natureza, tudo obedece a esse ciclo. Isso fica muito claro se observarmos o dia e a noite. A zero hora, inicia-se o clarear, com o sol atingindo o pico às 12 horas, quando começa a anoitecer, com a escuridão máxima às 24 horas, quando, então, recomeça a clarear, e assim infinitamente. Ou seja, dia e noite, que na visão ocidental são opostos, para o Taoísmo, além de não poderem existir um sem o outro, ainda um se transforma no outro.

Masculino não existe sem o feminino e um se transforma no outro e vice-versa, o bem não existe sem o mal, um se transforma no outro e vice-versa. A Física chegou à mesma conclusão. Energia e matéria, antes opostos irreconciliáveis e distintos entre si, hoje são vistos como não existentes isoladamente e em constante transformação uma na outra. O mesmo se deu com a teoria que levou Niels Borh a ganhar o prêmio Nobel da Física. Seu conceito de complementaridade considera a representação tanto como partícula quanto como o­nda (dois "opostos"), duas descrições complementares da mesma realidade, sendo cada uma delas parcialmente correta e ambas necessárias para se obter uma descrição integral da realidade atômica. Tanto ele sabia da verdadeira origem de sua teoria que, ao escolher um brasão de armas para a sua família, adotou o símbolo do Yin-Yang, com a inscrição: "Os Opostos São Complementares." Em suma, tudo pode ser resumido aos movimentos do Tao: Yin e Yang. Entretanto, essa simplificação quase que absoluta da realidade precisou ser mais elaborada para facilitar o trato com a multiplicidade aparente das coisas, surgindo, assim, variados "tipos" de Yin-Yang. 

Métodos de utilização de bastões suspensos
 

Calor moderado e constante:
- Aproximar a ponta acesa do ponto a ser tratado a uma distância da pele de aproximadamente de 1 a 2 cuns. Obs.: Usar o dedo da outra mão, próximo ao ponto para controle do calor.
- Quando o paciente não suportar, subir verticalmente.
- Aguardar 5 segundos.
- Repetir 4 vezes por ponto (máximo 4 a 5 pontos, sendo que os simétricos conta como um ponto). Obs.: Nas pessoas Yin, costuma-se demorar mais o primeiro aquecimento.
- Fazer duas a três aplicações semanais em dias intercalados.
- Nos pontos SHU (costa) pode-se usar dois bastões simétricos no meridiano de bexiga (segurar tipo pauzinhos chineses). Usar a mão esquerda para controle de temperatura.
- Este método resgata os Jing Luo e elimina o frio ruim.

“Bicada”
(Moxabustão subida e descida):
- Utilizada em perda de consciência, sincope, BI do vento, da umidade e do frio.
- Para tonificação, fecha-se o ponto para fazer penetrar o calor (pressionando com a mão esquerda, após aquecimentos).
- Distância de 2 cuns da pele.
- Descer e subir 1 cun.
- Média de 2 minutos, nunca mais do que 5 minutos.
- Evitar aproximação menor do que 1 cun, para evitar queimaduras.

“Passar roupa”:- Indicações: Doenças de pele, dermatoses, frieiras,
BI da umidade e do vento sobre uma grande superfície,
paralisia e parestesia.
- Distância de 1 cun da pele.
- Fazer movimentos de vai-e-vem na horizontal sobre o ponto.
- Tempo médio: 5 minutos.
Obs.: Quando for necessário, aquecer toda a região, particularmente nas doenças da pele, pode-se aplicar este método, de uma maneira circular, ou seja, estreitando até chegar ao centro do ponto a ser tratado.
- Levantar o bastão e recomeçar. Parar quando a pele estiver hiperêmica.

Tonificação (sobre ponto preciso):
- Dois bastões na mão direita (segurar como dois lápis juntos)
- Distância do ponto = 1 cm. (manter a mão apoiada no paciente pela eminência hipotenar).
- Tempo: I segundo (após, subir com movimento preciso, deixando ainda o punho apoiado).
- Após a terceira cauterização, cobrir o ponto aquecido com os dedos da mão esquerda e resfriá-lo por 2 a 3 segundos.
- Tempo de cada ponto: 5 minutos ou interromper quando tornar-se insuportável (nunca superior a 7 minutos).

Tonificação dos pontos Shu. (costas, meridiano da Bexiga)
Separar os bastões (como pauzinhos chineses utilizados para comer).
Dedo médio da mão esquerda em contato com apófises espinhosa da espinha dorsal, após o terceiro aquecimento, manter o dedo médio no local e avançar o indicador e o anular sobre os pontos aquecidos para resfriamento (2 a 3 segundos). Deve-se aquecer até que se obtenha uma placa vermelha, mas sem atingir o estágio de queimadura. Em caso de queimadura, cobrir a zona afetada com azeite de oliva.

Em difusão: Utilizar as mesmas orientações utilizadas para o item anterior (Tonificação dos pontos Shu), porém, usando-se movimentos circulares do centro para fora. Este método provoca sensação de bem estar e relaxamento na região tratada.

Em dispersão: Utilizar as mesmas técnicas aplicadas em “Calor constante e moderado” (1) ou “Bicada” (2), referente a posição do bastão, cuidados e tempos, porém, girar a uma altura constante e círculo em sentido horário em torno do ponto escolhido, até o aquecimento suportável, subir e repetir (não fechar o ponto).

Caixa suspensa: Confeccionar uma caixa de madeira de no máximo 15cm de largura x 20cm de comprimento x 5cm de altura (com tela de arame a 2cm de altura).
Método de utilização: Untar um pano fino com óleo e aplicar sobre a área afetada. Colocar a caixa com lã de artemísia sobre a tela de arame. Acender e aguardar o aquecimento e deslocar puxando pelo pano. Para aquecimento mais acentuado, utilizar o lado mais próximo da tela de arame.

OUTROS MÉTODOS

MOXA SEM ARTEMÍSIA
Vários produtos podem ser empregados para praticar a Moxabustão, que no geral, significam métodos complementares. São numerosas estas técnicas, mas só citaremos as principais:

Moxa de Enxofre:
Indicações: Abcessos, furúnculos e fístulas. Pegar um pouco de enxofre, de acordo com o tamanho do furúnculo. Colocar esse enxofre sobre o furúnculo e inflamá-lo com o auxílio de um outro tanto de enxofre previamente aceso.

Moxa de Cera:
Indicações: Úlceras, furúnculos e antraz. Fazer uma massa com farinha e água e dispô-la em forma de coroa de 1 cun de altura, aproximadamente, ao redor da úlcera ou do furúnculo. Colocar no meio dessa coroa algumas fatias de cera. Derreter essa cera com o auxílio de uma brasa de carvão, que é retirada assim que o paciente sentir o calor. Nos casos de úlceras abertas e profundas, o paciente não sente dor. Então, coloca-se a cera pouco a pouco. Assim que o paciente começar a sentir uma irritação, cessa-se a operação jogando-se algumas gotas de água fria e natural sobre a cera. Após o resfriamento, retira-se a cera, bem como a coroa de massa de farinha.

Moxa de Tabaco:
Indicações: Reaquece os vasos e dispersa o frio. Nos casos de urgência, os cigarros podem substituir os bastões de artemísia. Entretanto, deve-se ficar atento, porque a temperatura da combustão é mais elevada e menos regular que a da artemísia.

MOXA SEM CALOR
A eficiência destas Moxas não reside no calor, mas na ação vesificante dos produtos utilizados.

Moxa de Pasta de Alho:
Fazer uma pasta de alho, de preferência o alho roxo. Colocá-la em forma de emplasto sobre o ponto a ser tratado. Hegu Ig4: Trata as amigdalites. Yuji P10: É indicado nas faringites.

Moxa Fria sobre o Umbigo: Colocar uma compressa sobre o umbigo, encher a cavidade umbilical de pó de alume. Gotejar água fria sobre o alume. Assim, uma sensação de frio penetra no abdômen e libera a micção e as fezes. Este método é indicado nos casos clínicos de calor com anúria (urina solta à noite) e constipação. Se o umbigo não é muito fundo, pode-se colocar ao seu redor uma coroa de massa de farinha e água ou de massa de modelar, da forma como foi descritas para as Moxas sobre o umbigo.

Moxa de barro (Terra virgem):
a) Como recolher a terra: de preferência a terra extraída de local onde existam matas, perto de raízes de árvores. Demarcar o local da extração através de um quadrado de 1,5 metro, usando um enxadão devidamente desinfetado e esterilizado (lavar com sabão e bastante água e aquecer em fogo). No local, capinar e cavar um palmo a área escolhida, jogando fora todo o material da superfície. A terra deverá ser retirada de 1 metro de profundidade, retirar com a mão, devidamente desinfetada e colocar em vasilhas ou saco plástico (nunca em alumínio). Armazenar a terra coberta com um pano limpo. Em casa, peneirar com uma peneira virgem e colocar ao Sol durante uma hora. Se não tiver Sol, deixa-la espalhada para secar evitando assim o bolor. Guardá-la em lugar fresco.

b) Como preparar o cataplasma: A quantidade da terra a ser utilizada deverá ser de acordo com o local onde vai ser aplicada. Por exemplo: Para garganta: 2 mãos cheias de terra. Para os rins: 6 mãos cheias de terra. Misturar com água quente se for aplicar nos rins e pulmões. Em outras partes do corpo, usar água em temperatura ambiente.

c) Como aplicar o cataplasma: Aplicar no lugar afetado, cobrindo com um plástico e enfaixar a área. O tempo de aplicação deve ser de uma hora, mas para uma cura mais rápida, deverá ser aplicada durante 12 horas ininterruptas. Se a aplicação causar algum tipo de dor, comichões ou sensação de queimação, é natural. Procure ficar o máximo de tempo que puder. O tratamento é feito durante 10 dias.



Métodos e técnicas de utilização I




Intercalada:
- ALHO: Lâmina ou pasta
• Refresca o calor, elimina as toxinas, vivifica o sangue, dissolve os acúmulos, acalma a dor, faz desaparecer inchaços.
• Furúnculo, antraz, estágio inicial das infecções piogênicas da pele, picadas de insetos e de cobras, fase inicial das úlceras cutâneas.
• Contra indicado para febre.

GENGIBRE: Fatia (furada no centro)
• Mesma do alho.
• Dispepsia, abdômen doloroso, diarréia, espermatorréia, ejaculação precoce, dores reumáticas (vazio - frio), vômitos e artrites.

SAL: Sobre o umbigo (com alho, gengibre etc.)
• Obs.: Retirar a umidade do sal, passando antes ao fogo para evitar estalos.
• Refresca o calor, elimina as toxinas, fortifica o estômago e os intestinos. Faz voltar o Yang, leva remédios ao sentido oposto, sustenta a base e impede a debilidade.
• Gastroenterite aguda, desarranjos intestinais, vômitos, doenças crônicas do estômago e dos intestinos, prolapso anal, colapso devido a um zhong feng, coma, apoplexia do tipo flácido, fraqueza e energia baixa.
- Se após a Moxa no umbigo, o paciente tiver grande sensação de calor ascendente, aplicar Moxa no E36 para reequilibrá-lo.

CEBOLINHA: Usar inteiras, inclusive bulbo (branco)
• Idênticas ao alho.

ACÔNITO: Fatias da raiz
• Aquece os rins, fortifica o Yang original (Yang dos Rins), restabelece a debilidade, cessa a transpiração, renova as células, elimina o que está podre.
• Internas - Rins em estado de vazio, impotência, ejaculação precoce, Yang em estado de vazio e transpiração espontânea.
- Debilidade por vazio
- Insuficiência cardíaca
- Pelve fria e dolorosa
- Baço - Estômago vazio e frio
- Diarréias.
• Externas - Úlceras cutâneas crônicas que não cicatriza, fístulas.
- Muito eficaz por agilizar as cicatrizações.

GRÃO DE SOJA (fermentado): Pasta
• Mesmo método do alho / gengibre.
• Furúnculo, ulcerações cutâneas.

LOESSE (Argila): Pasta
• Furunculos, antraz, particularmente nas costas.

CEBOLAS: (fatias)
• Dispor sobre o abdômen ao redor do umbigo, fatias de cebola branca e por cima, colocar cones grandes. Queimas simultânea ou sucessivamente.
• Colapso, flatulência, dores abdominais do tipo frio, anúria, retenção urinária.

FERRO DE PASSAR ROUPA:
Afecções do tipo vazio. Paralisias flácidas. Obs.: Desligar a tomada do ferro elétrico quando este estiver morno. Não usar ligado à energia elétrica.

RAIOS SOLARES:
Dispor uniformemente veludo de artemísia sobre o abdômen e expor ao sol durante 10 a 20 minutos.
- Debilidade constitucionais crônicas, alterações de pigmentação da pele (vitiligo) e raquitismo em crianças.

BASTÕES SUSPENSOS:
Iniciou-se o uso na época Ming. Os bastões de artemísia vem dos bastões medicinais que se denomina também de flecha de fogo.
A sua fabricação é feita a partir de veludo de artemísia enrolado em papel de arroz.



Métodos e técnicas de utilização II

 


Queima Direta:
Estímulos aos pontos de acupuntura e pontos extras.
Primitiva (sem histórico, antes de 700 d.C.): Pedra aquecida, carvão, madeiras e bambus incandescentes. Estiletes e metais aquecidos.

Queima Direta: (com artemísia):
São usados os cones de lã de artemísia diretamente acesos sobre os pontos de acupunturas ou localizados. Após 700 d.C., iniciou-se o uso de lã de artemísia, que em nossos dias são ainda conhecidos e utilizados a sós ou associados a outros métodos terapêuticos.

Com cicatrizes:
Utiliza-se cones maiores ou médios, queimados até o final com supurações abacteriana (pouco utilizado no presente).
Utiliza-se onde a musculatura é mais espessa (pode-se usar vaselina como ungüento e curativo).

Com bolhas:
Utiliza-se vários cones pequenos ou médios. Deve ser presssionada e apagada com o dedo indicador ou polegar após queimar 2/3 sobre o local.
Aparece uma bolha após 1 ou 2 horas, principalmente se a pessoa for Yang. Quando for Yin, pode não aparecer as bolhas. Não se deve furá-la e sim deixá-la reabsorver-se sózinha. Pode-se ainda, protegâ-la através de um curativo, se necessário.

Sem cicatrizes:
Utiliza-se cones médios ou pequenos. Os cones médios devem ser retirados quando queimar 1/4 ou 2/5, isto é, quando o paciente sentir o aquecimento. Com os cones pequenos, o momento é quando o paciente começar a sentir dor, amassar com o polegar ou o indicador sobre o ponto. Retirar o excesso (deixando parte das cinzas).
Obs.: Nos dois casos, repetir 4 ou 5 vezes.

Queimas indiretas:
Obs.: Wang Xue Tai (da Academia de Pesquisa em Medicina Tradicional de Pequim), recenseou 17 variedades de Moxabustão indireta, porém abordaremos as principais variedades).

Intercaladas
- Alho
- Gengibre
- Sal
- Cebolinha
- Acônito
- Grão de Soja
- Loesse (argila)
- Cebolas
- Ferro de passar roupa
- Raios solares.

Bastões Suspensos
- Calor moderado e constante
- Bicada
- Passar roupa
- Tonificação (ponto preciso)
- Tonificação dos pontos SHU (costa)
- Em difusão
- Em dispersão
- Moxa Suspensa (tubo ou caixa)
 


Contra indicações


Não aplicar moxas nos seguintes casos:
Nas grandes debilidades: (Moxas, mexem com o Chi geral e provoca reações violentas)
Obs.: Inicialmente, melhorar esta debilidade através do uso de agulhas, chás ou moxa com sal no sobre gengibre ou alho no umbigo.
• Strees
• Esgotamento
• Coma
• Astenia/fraquezas
• Yin profundo
- Cefaléias devido excesso de Yang do Fígado.
- Grandes intoxicações: Fígado e Rins pegam substâncias tóxicas e lançam de uma vez para o organismo, normalmente devem ser lançadas aos poucos.
- Pulsos rápidos.
- Plenitude de calor (sindromes).
- Processos inflamatórios. (Aplica-se em volta, moxa direta sem bolhas)
- Com estrema fraqueza (extremo Yin), fome ou sede.
- Doentes mentais (entra em plenitude no alto, mexendo com os líquidos cerebrais).
- No rosto: Nos arredores de orifícios naturais
Ao redor dos olhos
No pescoço
Na nuca
Sobre órgãos sexuais
Nas proximidades de mucosas
Nas regiões pilosas: Cicatrizes e nos pontos descarnados. Obs.: pode-se usar, nestes casos, moxa eletrônica ou moxa direta sem bolha.
- Moxas diretas, nas articulações do pulso e no tornozelo.
- Na região do coração.
- Durante gravidez (mexe com líquido aminiótico): O meridiano do BP, os pontos abaixos do umbigo, na região do estômago e lombo sacro, onde passam nervos importantes, os pontos IG4 / B60, 67 / E 12, 36 / F8, 11.
- Durante períodos menstruais (pode fazer shiatsu).
- Sobre vasos e artérias.
- Em crianças menores de 7 anos: A fontanela (moleira) fecha com 7 anos segundo a MTC, o corpo energético ainda está em formação, principalmente cabeça (crânio).
- Sobre as mamas.
- Pessoas alcoolizadas.
- Durante ataque de ira ou histeria.
- Em situações febris.


MOXABUSTÃOmoxabustao_3

A queima da planta artemisia vulgaris, produz uma poderosa fonte de calor, que dirigido para a área afectada ou para os chamados pontos de acupuntura, promove o efeito terapêutico .

Conhecida como Moxa, a sua aplicação na terapia da MTC é muito utilizada e os benefícios colhidos são muitos.

Pode utilizar-se de várias formas, em conjunto com as outras formas de terapia ou como tratamento principal.

A Moxabustão foi recentemente proclamada Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, juntamente com a Acupuntura chinesa.



 Texto retirado do blog: http://moxabusto.blogspot.com.br/2010/04/artemisia-tipos-e-nomes-cientificos.html

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