Mundos Sutis

Corpos Sutis e a comunicação entre os diferentes Mundos




A Comunicação entre os Diferentes Mundos Por Annie Besant



A teosofia se diferencia da maioria dos outros movimentos religiosos de hoje asseverando a continuidade em nossos tempos da comunicação entre os diferentes mundos em que a vive a humanidade.

Todas as religiões dizem que esta comunicação ocorria no passado; todas elas reivindicam para seus Fundadores, e de modo geral para seus associados e seguidores imediatos, que esta comunicação era mantida, e os capacitava a "falar com autoridade"; algumas, como a Hindu e a Católica Romana, alegam que em casos esporádicos esparsos ao longo de suas respectivas histórias esta comunicação se estabeleceu, embora seja raramente encontrada hoje em dia, se de qualquer forma ainda o é.

Mas a Sociedade Teosófica afirma definidamente a existência de poderes latentes em todos os homens, e de forças da Natureza que ainda estão ocultos do conhecimento geral, e faz disso um de seus objetivos de estudo.


Alguns de seus membros levaram estes estudos a cabo com tanto sucesso que foram capazes de evocar estes poderes e controlar estas forças, usando métodos ensinados pelos Mestres de Sabedoria, através dos quais uma tal comunicação pode ser estabelecida e mantida normalmente, sem provocar as dificuldades e desvantagens que problematizam os métodos conhecidos como espíritas.

Estes últimos, contudo, continuam a ser os únicos métodos ao alcance imediato da pessoa destreinada, e por isso são do maior valor para a destruição dos preconceitos dos cientistas e dos materialistas, e para darem provas físicas e tangíveis, disponíveis para qualquer um, da continuidade da consciência além da morte.


Eles são um sinal dos tempos em mudança pelos quais passa o mundo, um anúncio da aproximação de uma era em que a barreira da morte será derrubada, quando o invisível se tornará visível, e os mundos físico e astral se interpenetrarão.

A fim de entendermos de modo completo o assunto que temos diante de nós, é necessário compreendermos algumas leis fundamentais da Natureza; quando elas foram entendidas claramente, será relativamente fácil aplicá-las aos casos individuais com que porventura entremos em contato.

E deve ser lembrado, a fim de que este estudo possa ser útil, que deve ser posto de lado todo o temor do incomum; o estudante deve compreender que à sua volta há muitas coisas que ele não vê, e que se tornam menos perigosas, embora às vezes mais alarmantes, quando passam da invisibilidade para a visibilidade. É o desconhecido o que pode ser perigoso; é a ignorância a fonte dos pavores.

A criança que não está acostumada a estranhos grita e esconde seu rosto no vestido de sua mãe à visão terrificante de um homem ou mulher inofensivos; quando se acostuma com tais encontros, já perde o medo. A visão de um fantasma espanta numa primeira vez; depois de um tempo eles já não são mais alarmantes que a visão de um estranho qualquer que passa na rua.

Nossa ignorância é o nosso verdadeiro perigo, e ela só pode ser extinta com a experiência.

Uma pessoa razoável e ponderada, de vida pura e boa inteligência, pode treinar-se para a comunicação normal com outros mundos sem qualquer perigo digno de consideração, desde que ela habitualmente seja autocontrolada, decidida e enérgica; uma pessoa assim pode desenvolver a si mesma de modo racional e tranqüilo, e pode não só convencer a si mesma sobre a realidade dos outros mundos, mas também se tornar uma fonte de ajuda e conforto a necessitados e afastando mesmo seu medo da morte, e suavizando a angústia da separação de seus amados.

Uma tal pessoa normalmente se protege no mundo físico, onde o perigo é muito maior do que nos mundos sutis, pois a matéria física é muito mais resistente ao controle pelo pensamento do que a matéria sutil dos mundos superiores.


No mundo físico o poder humano de autodefesa contra o perigo é muito menor; nos outros mundos o medo é o pior inimigo, pois ele paralisa o pensamento e a vontade. Não digo que não haja perigos nos mundos sutis; há perigos, mas quanto mais conhecermos mais estaremos seguros, pois para o ignorante existem perigos em toda parte.

O primeiro fato fundamental é que cada indivíduo é uma consciência única, uma unidade de consciência, e que surgem variedades na forma de comunicação por causa da diferença de corpos, e não de uma diferença de consciências.

Uma consciência, é claro, pode ser mais ou menos desenvolvida, pode ter trazido à manifestação mais ou menos de seus poderes; uma unidade de consciência pode diferir largamente de outra unidade, mas a mesma unidade, isto é, o mesmo indivíduo, permanece a mesma em todas as comunicações, por mais restrito ou livre que seja pelo corpo particular, grosseiro ou refinado, através do qual se faz a comunicação.


Se compararmos duas unidades de consciência, uma avançada e outra atrasada, a diferença de evolução se verá em cada mundo em que elas funcionarem; mas a manifestação de cada uma será determinada pelas condições materiais da manifestação, e estas introduzirão variações na forma das comunicações, mas não afetarão a unidade da inteligência manifesta.

Será bom também ter em mente que todas as consciências são fragmentos, partes, de uma consciência onipresente, e por isso suas características são fundamentalmente as mesmas, mas variando em grau; todas possuirão os três atributos essenciais de: Vontade, Sabedoria e Atividade, embora a Vontade possa ter se manifesto até então apenas como o que chamamos de Desejo, embora a Sabedoria possa ser vista apenas como uma forma embriônica de Cognição, e embora a Atividade possa ter-se manifesto só na forma de Agitação.


Não há diferenças essenciais nas unidades de consciência que tentam se manifestar nestes vários mundos, mas há inumeráveis diferenças em grau, desde a grandiosa e luminosa consciência do mais alto Serafim até a tênue e apagada, tateante mesmo, consciência do mineral.


Só há uma consciência no universo, e todas as assim ditas consciências separadas são apenas fases suas.


O segundo fato fundamental é que estas unidades de consciência estão corporificadas, isto é, associadas intimamente com porções de matéria de que se apropriaram temporariamente.


Para os propósitos de nosso estudo não precisamos nos ocupar com as mais elevadas destas apropriações; podemos nos contentar reconhecendo o fato de que há níveis mais rarefeitos de matéria do que aqueles onde nos confinamos, e podemos lhes atribuir o nome geral de corpo espiritual, sem entrarmos em maiores detalhes.

Aqueles que podem usar livremente o corpo espiritual certamente não precisam de quaisquer explicações como as que damos neste artigo.




Interessa-nos, pois, apenas os três graus de matéria bem definidos, aqueles que respondem e são instrumentos do pensamento, desejo e ação -


corpos
O corpo mental é organizado com matéria mental; o astral com matéria astral, e o físico com matéria física, que é funcionalmente divisível em seus componentes etérico e denso.


Estes são os veículos, os instrumentos da unidade de consciência, seus meios de afetar e ser afetada pelos mundos exteriores em que vive; eles podem ser alta ou escassamente organizados, podem se compor de materiais refinados ou grosseiros; sejam como forem, são os seus únicos meios de contato com os mundos que a rodeiam, e seus únicos meios de auto-expressão.

Estes três corpos - mental, astral e físico - são separáveis entre si, e em condições anormais as duas porções do corpo físico podem em certa medida ser dissociadas durante a vida física, e na morte física são separadas completamente.

Enquanto uma pessoa está desperta e em seu estado usual de consciência, ela usa os três corpos todo o tempo; quando ela vai dormir, sai do corpo físico e usa só dois - o astral e o mental; na morte, a parte densa do corpo físico é abandonada, a parte mais sutil se liga a ela ainda por algum curto período (normalmente), e por fim se desprende como a parte densa, e na condição pós-morte ela passa a usar só os corpos astral e mental, por um período de extensão variável; mais tarde o corpo astral também é abandonado, e ela permanece envolta no corpo mental durante sua longa vida mental ou celeste que sobrevém depois do estado anterior intermediário e o renascimento no mundo físico.

Quando também o corpo mental se desprender ela estará no limiar da reencarnação, prestes a construir corpos novos para seu próximo período de vida física.

O terceiro fato fundamental é que o homem vive e atua em três mundos durante seus períodos despertos de sua vida na Terra.

Estes três mundos são compostos sucessivamente de matéria física, astral e mental, são os mundos de onde são retirados sucessivamente os materiais para seus corpos físico, astral e mental.

Estes mundos não estão separados entre si, mas se interpenetram e misturam, ao mesmo tempo em que permanecem distintos.

Assim como gás pode passar pela água e permanecer distinto dela, a matéria astral interpenetra a matéria física, permanecendo distinta dela; e do mesmo modo a matéria mental, sendo ainda mais fina, interpenetra a astral.

O éter físico interpenetra os gases, líquidos e sólidos do corpo físico, movendo-se por toda parte dele sem impedimento; o mesmo faz a matéria superfísica ao interpenetrar a matéria física, movendo-se por toda a parte sem impedimento por causa de sua sutileza muito maior.

A Natureza se repete em toda a parte, e podemos entender muito mais do superfísico estudando o físico e raciocinando por analogia; mas devemos sempre lembrar que o superfísico é que é o original, e o físico é sua cópia, e não o contrário.

O mundo astral, mesmo interpenetrando o físico, não coincide exatamente com este; ele forma uma esfera em torno da esfera da Terra, cujo raio se estende do centro de nossa Terra até a Lua.

O mundo mental, ou celeste, também é uma esfera concêntrica semelhante, se estendendo muito além dos limites do astral, embora interpenetre a este e ao físico.

A consciência de uma pessoa em cada mundo seguirá o desenvolvimento de seus respectivos corpos; assim como uma pessoa cega fisicamente não pode ver o mundo físico que se estende à sua volta, da mesma forma uma pessoa cega astralmente não pode ver o mundo astral, embora ele sempre a circunde; de modo similar uma pessoa que tem a vista astral aberta pode ser mentalmente cega e deixar de ver o mundo mental que a envolve.

A matéria em cada corpo deve ser organizada de modo que a consciência possa usá-la como um instrumento de percepção; os fisicamente cegos são uma pequena minoria no atual estágio de evolução, os astralmente cegos são a vasta maioria; mas a cegueira dos organismos não altera os mundos em que vivem - exceto para eles mesmos.

Assim as pessoas estão vivendo em três mundos em todos os momentos de suas vidas despertas, embora normalmente só sejam conscientes do mais denso; durante o sono e depois da morte vivem em dois, mas normalmente só estão cônscias do mundo intermediário (astral), e nem sempre o estarão; em um período posterior de sua condição pós-morte elas viverão em apenas um, e estarão conscientes apenas de suas imediações.

à medida que a evolução avançar o mundo astral se tornará visível para aqueles que estão na crista da onda da humanidade que progride normalmente, e em um futuro distante o mundo mental também se tornará visível, de modo que as pessoas na Terra viverão conscientes nos três mundos, tendo os três corpos se organizado como veículos de consciência e disponíveis para o uso normal.

O quarto, e para nossos propósitos, o último fato fundamental, é que cada corpo é afetado pela a consciência encarnada, que o afeta muito antes de ele estar suficientemente organizado para transmitir a esta consciência informações definidas a respeito do mundo de onde ela retira seus materiais.

Podemos notar isso em grande medida se observarmos a atuação da consciência desperta em um novo corpo infantil.

A consciência responde ao desconforto do corpo - fome, dor, etc. - antes que ela seja capaz de obter através deste corpo qualquer idéia definida a respeito de seu ambiente ou qualquer compreensão de suas relações com ele.

E os corpos astral e mental respondem a mudanças na consciência causadas por vibrações variáveis durante longas eras antes que eles transmitam à consciência notícias definidas dos eventos que têm lugar ao redor deles em seus mundos respectivos.


Daí que as comunicações acontecem continuamente entre os mundos em que a pessoa vive normalmente, sem que ela saiba qualquer coisa de sua transmissão; ela se torna consciente de um pensamento só quando ele afeta seu cérebro físico, e não sabe nada de sua origem ou do caminho que ele seguiu antes de chegar ao seu corpo físico.

Comecemos nosso estudo sobre as comunicações entre mundos diferentes com as comunicações que chegam constantemente todos os dias, e assim nos estabeleçamos firmes no normal antes de pesquisarmos o anormal.

Assim como o para nós ínfimo tempo entre o toque de uma chapa quente com a ponta do dedo e a retirada do dedo é ocupado com a passagem de uma onda desde os nervos sensoriais periféricos até o cérebro e a passagem de uma onda de retorno do cérebro através dos nervos motores até a periferia, da mesma forma há a passagem de uma onda vibratória desde a matéria física até a astral e da astral até a mental, e segue-se uma correspondente mudança na consciência; é a consciência que sente a dor da queimadura, e memoriza o fato para futura orientação; a comunicação correu do corpo físico para o astral até o mental, uma comunicação entre mundos.

De modo semelhante, a mudança na consciência, o desejo de retirar o dedo da substância quente, é a causa de uma vibração na matéria do corpo mental, e isso provoca uma vibração no corpo astral, e por sua vez no cérebro físico - uma comunicação de mundo para mundo.

Em todos os processos de pensamento há uma série de mudanças de consciência no mundo mental, que são respondidas por uma série correspondente de vibrações no corpo mental; elas causam uma série de mudanças vibratórias correspondentes no corpo astral, reforçadas pela consciência - a mesma consciência, lembremos, em todos os três corpos - e isso ocasiona mudanças vibratórias similares na parte etérica do físico; estas vibrações etéricas são largamente de caráter elétrico, e afetam as células do cérebro físico denso, estabelecendo ali mudanças vibratórias; assim acontecem as comunicações normais entre os mundos, sucedendo-se repetida e continuamente, variando com o processo inverso, onde a iniciativa vem de fora, quando algo que acontece no mundo externo inicia uma série similar de mudanças, um dos sentidos recebe um estímulo e envia uma onda nervosa; ela passa da matéria densa para a etérica, ou inicia na etérica, é respondida por uma mudança na consciência, corre através do astral até o mental, intensificando a mudança, e a consciência recebe e registra a comunicação.

Não é perda de tempo definirmos com clareza que estas comunicações estão constantemente subindo e descendo pela escada de nossos corpos, sendo cada corpo um degrau na escada, e cada passo um mundo diferente.

A preservação de nosso equilíbrio mental e de nossos poderes de raciocínio e julgamento em face ao anormal é tornada muito mais fácil quando entendemos que o anormal é apenas uma extensão do normal.

Se uma pessoa sente que está enfrentando alguma coisa estranha e desconhecida, algo que ela estaria inclinada a considerar sobrenatural, ela excessivas vezes perde tanto a faculdade do julgamento como a do raciocínio; mas se ela entende que o fenômeno que está diante de si é só uma repetição mais sutil de um evento familiar, será capaz de observar com precisão e raciocinar com sensibilidade e penetração.

Assim como M. Jourdain se espantou de descobrir que em suas conversas normais falava em prosa, muitos estudantes podem se espantar de descobrir que estão constantemente se comunicando de mundo para mundo.

Sua consciência pode voltar sua atenção para fora em cada mundo em que possuir um corpo que sirva de janela, pode olhar através de suas janelas física, astral e mental, mas a vida é sempre o mesmo ele que olha, e que recebe as impressões.


Consideremos agora a classe seguinte de comunicações.

Uma pessoa se torna consciente de um pensamento, ou antes de uma impressão, que surge bastante vaga e imprecisamente em sua consciência desperta, e que não consegue relacionar com nada em suas vizinhanças físicas, e que não parece ser originada em sua própria consciência.

Parece-lhe que vem de fora, mas lhe falta a definição a que está acostumada quando em presença de objetos reais.

Impressões como premonições, avisos de perigo, depressão ou exaltação aparentemente sem causa, sentimentos sobre as condições mentais, morais ou físicas de amigos, sobre doenças, morte, azares, boa sorte, etc, intimações que não vêm com a clareza da palavra falada ou da mensagem escrita, mas que não obstante causam uma mudança na consciência - o que é isso tudo?

Isso se deve a impactos feitos sobre o corpo astral no mundo astral, impactos que estabelecem vibrações em sua matéria e assim dão lugar a mudanças de consciência.

A ausência de nitidez na definição é devida à falta de organização do corpo astral, e sua conseqüente incapacidade de receber impressões claras.

O corpo físico tem estado em processo de organização durante milhões de anos, e pode receber séries de vibrações nitidamente definidas, e ao longo deste vasto tempo a consciência tem aprendido a relacionar os impactos aos objetos, a analisar e coordenar as impressões feitas sobre seu corpo, e com isso entender seu significado.

A experiência o desenvolveu num admirável veículo e instrumento de consciência.

Mas o corpo astral está em uma condição muito diferente.

Em todas as pessoas razoavelmente civilizadas e educadas ele está só parcialmente organizado, organizado em grau suficiente para receber e reproduzir seqüências de vibrações lançadas sobre ele a partir do plano astral, mas seus órgãos sensórios especiais - os discos giratórios ou chakras - ainda não estão completamente desenvolvidos nestas pessoas, e por isso as impressões claramente definidas não podem ser recebidas.

Com os olhos fechados podemos distinguir entre a luz e a escuridão; se quando o sol estivesse brilhando sobre suas pálpebras interpusermos a mão e assim lançarmos uma sombra sobre elas, estaríamos conscientes da diferença, mas não distinguiríamos a mão; ou a fossem projetadas sombras sobre uma tela, nossos olhos abertos veriam a dança das sombras, mas isso só transmitiria uma idéia imperfeita de uma história que poderíamos compreender claramente em uma cena representada por pessoas visíveis; isso é o que ocorre com o corpo astral do homem educado comum.

Se a alguma distância de nós ocorrer algum evento que nos interessa muito, trazendo-nos alegria ou dor, ou se algumas pessoas pensam fortemente em nós, as vibrações que isso estabelece na matéria astral se propagarão através do espaço como uma mensagem telegráfica, e impressionarão o nosso corpo astral, originando nele vibrações similares.

Mas a menos que os órgãos sensoriais astrais estejam desenvolvidos não poderá ser formada uma imagem nitidamente definida, e por isso só se cria na consciência uma vaga impressão.


O corpo astral e seus órgãos sensoriais diferem do corpo físico e dos seus órgãos sensoriais, embora sejam possíveis muitos mais intercâmbios naquele do que neste.


Os corpos astrais das pessoas educadas são bem desenvolvidos em forma e constituição gerais, mas são pobremente organizados no que tange aos órgãos sensoriais.

Contudo, no corpo astral há centros bem desenvolvidos relacionados aos órgãos sensoriais físicos - um centro conectado ao olho, um ao ouvido, e assim por diante.

Eles às vezes são estimulados à atividade por alguma vibração violenta no corpo astral, e então temos os fenômenos da visão à distância, visão de fantasmas, aparições, espectros de pessoas vivas ou mortas.

Também é possível estimular os sentidos físicos, mas de modo nada saudável, estimulando estes centros através dos órgãos físicos apropriados, como pela contemplação de cristais, uso de espelhos mágicos e outros meios similares.

Destas formas se pode obter uma extensão da visão no plano físico, ou mesmo uma visão das regiões inferiores do mundo astral.

Mas isso não é um ganho de sentidos astrais, mas sim uma estimulação prejudicial dos sentidos físicos, causando um aumento anormal de sensibilidade nos centros astrais a que se relacionam.

A lei da Natureza é desenvolver os centros a partir de cima, e as forças da evolução trabalham de cima para organizar o que está abaixo.

A vida é que organiza a matéria, a matéria não produz a vida.

A consciência que atua no mundo astral é quem organiza os órgãos sensoriais físicos; a consciência atuando no mundo mental é quem organiza os órgãos sensoriais astrais, e assim por diante.

Há um contínuo trabalho da consciência para o melhoramento e refinamento de seus veículos inferiores.

à medida que nossa evolução progride do estágio a que já chegou para as pessoas mais intelectualizadas e cultas, se torna possível acelerar o desenvolvimento dos sentidos astrais através de um pensamento estrênuo e claro, e por uma pureza de desejo e de ação, e à medida que eles se tornam ativos as comunicações recebidas através do corpo astral se tornarão mais claras e definidas, exatamente como aquelas recebidas pelo corpo físico.

Elas agora são borradas porque o instrumento ainda é imperfeito.

à medida que a consciência se desdobra em plano após plano, em mundo após mundo, e organiza seus veículos no mundo inferior àquele onde seu centro está estabelecido, para todos os propósitos os corpos inferiores se unificam em um só corpo; se a pessoa tem o centro de consciência estabelecido no plano mental, os corpos astral e físico funcionam como um só corpo, e ela vive conscientemente em dois mundos. Na excelsa consciência d'Aqueles a quem chamamos Mestres, todos os mundos são como um só mundo, onde Sua consciência desperta está sempre funcionando, e Eles focalizam Sua atenção em qualquer ponto sem deixar o corpo físico.


Os mundos em que Sua atenção não está concentrada ficam fora de foco, mas não invisíveis.


Quando usamos apenas nossa visão física, as coisas que olhamos ficam claras e distintas; as coisas em torno permanecem visíveis, mas não claramente definidas.

Assim, se uma pessoa estiver vivendo em dois mundos as coisas físicas e astrais se misturam em seu campo de visão normal, mas se ela focaliza o físico o astral fica fora de foco, e se ela olha o astral o físico fica fora de foco.

Porém um Mestre pode receber uma comunicação de qualquer mundo, e ao focalizar Sua atenção nela Ele vê o mundo de onde ela veio e pode, se assim quiser, responder enviando a resposta através do corpo apropriado.

Para a Sua consciência todos os Seus corpos funcionam como um único corpo, mas cada um ainda permanece como um instrumento perfeito para ação em qualquer mundo.

Nós, que ainda não chegamos naquela alta perfeição, podemos ter de nos deslocar de mundo para mundo, ou deixar um corpo para atuar em outro, ou, se tivermos ultrapassado o estágio elementar da evolução superior, podemos ter unificado parcialmente nossos corpos inferiores, e pode se que sejamos capazes de atuar em alguns planos como o Mestre faz em todos os que são manifestos.

Assim, prestando atenção a cada mensagem, podemos saber de que mundo ela provém; é tudo uma questão de desenvolvimento dos nossos corpos para que a consciência individual receba impressões de qualquer mundo em que esteja usando um corpo organizado.

Toda a questão, pois, é de evolução - o desdobramento da consciência, a organização dos corpos.

Mas há muitas formas de comunicação que não dependem inteiramente de nós, formas usadas por outras pessoas que desejam se comunicar conosco, e que não requerem nenhum crescimento de nossa parte, comunicações que se apresentam à nossa consciência normal no corpo físico, e que são mais ou menos rodeadas de dificuldade e perigo por causa do emprego de forças que não são usadas normalmente no plano físico pela pessoa que origina a comunicação.


A este tipo de comunicação é que nos voltaremos a seguir, assinalando apenas que é somente nossa falta de desenvolvimento que torna necessário o emprego destes recursos, forçando Seres mais altamente evoluídos a descer ao nosso nível porque não seríamos capazes de nos elevar até o d'Eles.


Pode ser tomado como regra geral que nenhum Ser atuando em planos superiores despenderá a energia necessária para manifestar-Se fisicamente em um local distante de onde está Seu corpo físico, se Ele puder fazer o trabalho que precisa completar sem tal manifestação.

Ele usará sempre a menor quantidade de poder necessária para alcançar o objetivo a que Se propôs; Ele usará o caminho mais simples, usará o método mais simples; se a pessoa com quem Ele deseja Se comunicar tiver seus corpos superiores organizados a ponto de ser capaz de receber comunicações dos planos sutis, então é mais certo que Ele não gastará a energia necessária para aparecer no físico.

Mesmo assim às vezes isso é necessário, e antigamente era usual para um Mestre ensinar no plano físico enquanto Seu corpo físico estava muito longe do local onde o ensino havia de ser dado.

Nestes casos surgia, e surge, a questão: "Qual é o melhor método de comunicação?"

Os Antigos respondiam esta pergunta de um modo simples e definido.


Eles diziam, com verdade, que o melhor método de comunicação era usar um corpo puro e cuidadosamente treinado e guardado, com o sistema nervoso altamente organizado, de onde o possuidor pudesse facilmente sair, ou ser deslocado, deixando seu corpo como um tabernáculo vazio onde o Mestre - cujo corpo físico estava longe - pudesse entrar e usar como se fora Seu.

Um corpo destes seria como uma veste bem feita de onde o possuidor pudesse deslizar para fora, deixando-a para ser assumida e usada por outrem.

Se um corpo há de ser usado desta forma é necessário que ele seja guardado com um cuidado escrupuloso; o ambiente deve ser belo e pacífico, não se devem permitir vibrações grosseiras ou excitantes perturbar a atmosfera; não se deve permitir que pessoas grosseiras ou impuras se aproximem dele; sua dieta deve ser não-estimulante, nutritiva e livre de produtos que sofram fermentação ou decomposição, e uma cultura física cuidadosa deve preservá-lo em boa saúde.

Nos antigos Templos, governados por pessoas que eram Iniciadas nos Mistérios maiores ou menores, encontrava-se tais corpos - os das Virgens Vestais, ou das Sibilas. Estas Virgens eram originalmente meninas criadas com extremo cuidado dentro dos recintos do Templo, e permitia-se que entrassem em contato apenas com pessoas puras e nobres, e tais Virgens eram escolhidas como o instrumento de comunicação. Sentadas em um banco ou cadeira isolados do magnetismo da Terra, a menina deixava seu corpo - se treinada como fazê-lo - ou seria lançada em um transe; então um Mestre, ou um alto Iniciado, tomava posse do corpo, e através dele ensinava os discípulos reunidos para instrução. Este foi o método favorito de ensino entre os Antigos, e era um bom método, pois ele causa a menor perturbação nas forças físicas normais; isso meramente fornecia a um Ser superior um veículo que Ele podia usar, enquanto que a Vestal não seria mais perturbada do que ao cair num sono normal. Este foi o meio em que Pitágoras estava acostumado a dar instruções aos seus discípulos em mais de uma vida.

Atualmente fala-se de um organismo como este como sendo de um médium, e a falta de conhecimento tem acarretado uma degradação no ofício; uma pessoa que nasce sensitiva é ensinada a ser passiva, a permitir que seja lançada em transe, e seu corpo seja possuído sem conhecimento de qual entidade vai usá-lo, sem critério ou poder de autodefesa.

Tais pessoas usualmente poluem seus corpos com carne e álcool, encontram-se com todas as pessoas indiscriminadamente, permitem que qualquer um sente junto delas, vivem em ambientes sórdidos. Os resultados são naturalmente triviais ou repulsivos.

Mas não se pode culpar os médiuns por isso, é a ignorância que leva a tais condições.
Se Mr. Stead for capaz de levar a cabo o plano que ele e sua amiga astral Miss Julia Ames imaginaram isso elevará o médium a uma posição muito mais alta, preservará os sensitivos contra maus ambientes, e defenderá sua sala de sessões contra intrusos indesejáveis tanto do mundo físico como do astral. O Julia's Bureau é a primeira tentativa em dias modernos de abrir sistemática e cuidadosamente canais de comunicação entre os vivos e os supervivos ao longo desta linha especial; tampouco os vivos ausentes seriam impedidos de usá-los, se forem capazes de chegar lá em seus corpos astrais.


Em nossos dias Helena Blavatsky foi largamente usada por seu Mestre e por outros Instrutores como um meio de comunicação semelhante.

Ela era uma combinação das mais extraordinárias e raras.

Seu corpo e sistema nervoso eram do tipo mais sensitivo; ela nasceu médium, e durante sua infância foi rodeada por uma profusão de fenômenos mediúnicos.

Mas ela também possuía uma inteligência de extraordinária vivacidade e uma vontade de ferro.

Na verdade uma tal combinação raramente é encontrada, mas é a ideal para um ocultista; de fato um Mestre disse que um corpo assim não tinha sido encontrado em duzentos anos.

Seu caráter era positivo e imperioso, e seu treinamento oculto tornou ainda mais poderosa a sua já forte vontade.

Ao longo de toda sua vida como uma das Fundadoras da ela esteve constantemente saindo do corpo físico a fim de colocá-lo a serviço de seu próprio Mestre ou de algum dos Instrutores, e sua face e voz às vezes mudavam tanto a ponto de deixar perplexos observadores desacostumados.

O Coronel Olcott nos diz em seu Old Diary Leaves que a maior parte de sua instrução oculta lhe veio desta forma antiga - ela saía do seu corpo, um Mestre entrava, e através de seus lábios ensinava o ávido e devoto discípulo.

De todos os meios de comunicação, como já disse, este é o melhor, pois causa menos perturbações; mas há poucas pessoas que se adeqúam a servir de canais como este.

Não entendendo as condições necessárias para tornar um corpo adequado para o uso de um ser do nível de um Mestre, as pessoas não treinam e mantêm seus corpos suficientemente bem para serem usados desta maneira, e em sua maior parte o que se faz hoje em dia ao longo destas linhas não é da natureza de uma possessão, mas sim de uma inspiração, quando a mente é elevada acima de seu nível normal pelo contato com a mente do Mestre, e alguns de Seus pensamentos fluem através dela.

O meio de comunicação diametralmente oposto, tão perigoso quanto aquele é seguro, é quando se produz a materialização de um corpo físico.

Nossos Mestres também usaram este método, e nos primeiros tempos da ele foi usado com relativa freqüência.

O Mestre vem em Seu mãyãvi rûpã - corpo ilusório (um corpo formado pela vontade do Mestre com materiais dos mundos mental inferior e astral - NT) - e o densifica no local onde Ele deseja aparecer, retirando da atmosfera, ou do corpo de alguém presente, as partículas que, incorporadas ao corpo sutil, o tornam visível e às vezes tangível.

O Coronel Olcott viu seu Mestre pela primeira vez desta forma em Nova Iorque; também eu O vi pela primeira vez assim, em Fontainebleau, em 1889. Diversos Mestres ou Seus discípulos Iniciados apareceram a membros da desta maneira. Mr. Leadbeater, Damodar, Pandit Bhavani Shankar, Mr. Subbiah Chetty, são algumas das várias testemunhas de tais aparições em Adyar e outros lugares.

Naturalmente perguntamos: Por que um meio de comunicação tão impressionante e satisfatório deveria ser perigoso?

Por causa da universalidade da bem conhecida lei que diz que "ação e reação são iguais, mas opostas".

Sempre que as forças dos planos superiores são levadas a atuar diretamente nos inferiores, há uma reação comparável àquela ação, e a atuação direta aqui embaixo de um Irmão da Loja Branca é seguida por uma ação direta semelhante também aqui por um Irmão da Loja Negra.

Em uma das primeiras cartas um Mestre explicou esta perigosa reação aos fenômenos produzidos por Helena Blavatsky e os resultados destrutivos naqueles em seu círculo, e muitos de nós têm visto farta comprovação desta lei.

Onde quer que tenham lugar tais manifestações de força oculta há perturbações e problemas, e aqueles que a princípio parecem ter sido altamente favorecidos são aqueles em quem recai o peso do refluxo inevitável.

Eles sofrem física ou mentalmente, há perda de equilíbrio ou perturbações nervosas.

A tensão nervosa a que Helena Blavatsky esteve sujeita pela abundância de fenômenos que ela produziu arruinou sua saúde física e a envelheceu antes do tempo.

E é digno de nota que, por causa da tensão envolvida nesta atuação de forças na vida do discipulado, a saúde física tem sido sempre no Oriente um pré-requisito para o discipulado.

As biografias dos videntes, dos santos, estão cheias de evidências da atuação desta lei, e sem um treinamento definido nenhum corpo físico consegue suportar a tensão das experiências psíquicas.

A histeria e a vidência têm sido tão constantemente encontradas juntas que alguns consideram todas as exibições de vidência como resultado de perturbação do equilíbrio mental, e é verdade que em muitíssimos casos a sensitividade psíquica e nervos abalados andam juntos.

Magnéticas, elétricas e outras formas de vibrações etéricas se estabelecem no plano físico pela exibição das forças sutis, e a menos que as pessoas dentro de seu alcance saibam como se proteger elas pagam o preço por sua presença sob forma de nervos perturbados e cérebros sobrecarregados.

Outro meio de comunicação é o envio de uma mensagem pelo Mestre através de um discípulo. Uma tal mensagem muitas vezes é transmitida pelo discípulo sob a forma do seu Mestre. Pois os corpos astral e mental seguem o pensamento de seus usuários, e se o discípulo que traz a mensagem está pensando firmemente em seu Mestre, seu corpo pode assumir Seu aspecto e o remetente da mensagem apareceria também como seu entregador.

Assumindo os corpos mental ou astral aquela forma, o material mais denso a eles incorporado também se conformaria naquela semelhança, e assim uma aparição do Mestre poderia ter lugar mesmo não estando Ele de fato presente.

Também, de modo semelhante, a comunicação poderia ser trazida por uma forma-pensamento do Mestre, e isso talvez ocorra com mais freqüência do que a verdadeira ida do Mestre até um lugar qualquer.

Tem sido observado, bem fora do envolvimento de algum Mestre, que uma pessoa vê a forma de outra onde apenas uma forma-pensamento havia sido enviada, não tendo ocorrido nenhuma visita real no corpo astral.

Uma pessoa cuja mente foi razoavelmente treinada pode enviar tais formas-pensamento, que assumirão a forma do emissário.

Muitas vezes disseram a mim mesma que apareci em certos lugares e fiz determinadas coisas, e aqueles que viram o fantasma não foram facilmente convencidos de que eu não lhes fizera qualquer visita, mas que apenas havia pensado neles.

Se quem vê foi treinado para uma observação cuidadosa, teria sido capaz de distinguir entre uma forma-pensamento e uma pessoa, mas faltando este treinamento uma pessoa pode honestamente dizer: Eu vi meu amigo, quando o que ele viu foi só uma forma-pensamento.

FORMA-PENSAMENTO
Além disso, é possível para uma pessoa projetar uma forma-pensamento e então percebê-la como um objeto externo.

Um Mestre poderia enviar um pensamento para um estudante, e assim produzir uma mudança em sua consciência nos níveis superiores do plano mental.

Esta mudança de consciência causada pelo Mestre produzirá vibrações correspondentes no corpo causal do estudante, e estas seriam reproduzidas do modo normal nos corpos mental e astral, e sendo assim levadas até o etérico; uma pessoa mais facilmente afetada através do nervo auditivo poderia em tais circunstâncias ouvir a voz do Mestre, e ouví-la dentro ou fora de sua cabeça; alguém mais prontamente afetado pelo nervo óptico poderia igualmente ver a forma do Mestre; cada qual poderia crer que ouvira ou vira o próprio Mestre, quando inconscientemente em seu cérebro etérico eles teriam manufaturado a voz ou a forma. Em tais casos a comunicação teria sido real, mas a forma que ela tomou no plano físico teria sido ilusória.

Está escrito no Atos dos Apóstolos que quando o Espírito Santo desceu sobre os Doze, cada indivíduo que estava presente na numerosa assembléia podia ouví-los falar em sua própria língua.

Para a pessoa que não entende assuntos como estes tratados neste artigo a história pareceria incrível. Porém não o é.

Pois o pensamento dos Apóstolos causou em cada ouvinte uma mudança mental, reproduzindo-se na mente de cada um; esta mudança se tornou o pensamento de cada pessoa, e alcançou seu cérebro físico do modo costumeiro; lá revestiu-se de palavras, as palavras em que cada um estava inconscientemente acostumado a traduzir seus próprios pensamentos.

A pessoa pensou que ouvira os Apóstolos falar em sua própria língua, ao passo que eles falaram em pensamento e cada um traduziu isso em seu próprio idioma.

Similarmente, se um trabalhador no plano astral não consegue se comunicar através da linguagem comum com alguém que deseja auxiliar, ele pode - se tiver aprendido a usar seu corpo mental - transmitir o pensamento à mente de seu amigo, deixando que ele traduza a imagem mental em sua própria língua.

É o amigo quem faz a tradução, mas ele pensaria que foi seu auxiliar que lhe falou, porém ele teria apenas recebido dele uma impressão mental que traduzira ele mesmo da forma a que estava acostumado.

Esta costumeira interação entre mente e cérebro, a tradução usual de uma imagem mental em palavras, é usada por aqueles que trabalham nos planos superiores como um meio conveniente de comunicação com aqueles que estão nos planos inferiores ao seu.

Assim um Mestre oriental, não conhecendo inglês, falaria "em inglês" a um discípulo ocidental. Ele pode até escrever, bastando retirar do cérebro do discípulo as palavras que necessita.

Existe ainda uma outra possibilidade que não deve ser omitida: a simulação de um Irmão da Luz por um Irmão da Sombra, ou de um discípulo de um pelo discípulo de outro.

Pode acontecer que com o engano de alguém que tenha larga influência, e com o conseqüente mal que pode ser produzido por tal pessoa enganada, um Irmão da Sombra possa personificar um Irmão Branco e dar alguma ordem ou orientação nefasta.

Em tal caso tudo depende primeiro da intuição daquele a quem se busca enganar, e então o assunto passa ao julgamento e intuição de outros.

Se tal possibilidade acontecer na Sociedade, cada membro deve formar sua própria opinião sobre a veracidade e confiabilidade da comunicação, depois de ponderar todas as circunstâncias do caso, o conhecimento e caráter da suposta vítima, o efeito da comunicação no bem da Sociedade, e todos os efeitos colaterais.

às vezes a questão só pode ser finalmente decidida após transcorrer um considerável lapso de tempo; assim, no caso da dissidência de Judge, o tempo falou pela continuidade e crescimento da Sociedade original - compare-se sua produção de literatura, sua crescente vitalidade e poder, com o desmantelamento da dissidência em diversos grupos menores, a diminuição de seus seguidores, a pobreza de literatura e a pequena influência sobre o público.

O tempo prova todas as coisas, e seu veredicto não é passível de apelação. O mesmo vai acontecer com a controvérsia suscitada pelas manifestações de Adyar.

Mantenham-se pacientes e no controle de si mesmos, e depois de empregarem sua melhor capacidade de julgamento, esperem pelo veredicto.

O fogo do tempo prova todas as coisas, ele queima a escória e deixa o ouro purificado e resplendente. O Senhor do Fogo lança todas as coisas terrenas em Sua fogueira; esperemos pelo resultado sem medo, desejando que nossa escória seja consumida e esperando que no fim possa restar algum ouro puro.

Será evidente, para aqueles que consideram estes vários meios de comunicação, que é praticamente impossível, para pessoas à distância do lugar onde a comunicação foi feita, definirem a forma que ela pode ter tomado, a menos que disponham de meios ocultos de investigação.

A natureza das manifestações que tiveram lugar em Adyar no inverno de 1906-1907 não poderia ser decidida pelo membro comum da Sociedade, não versado em fenômenos ocultos.

Ele seria forçado a ou confiar na boa-fé e exatidão daqueles que estavam presentes durante sua ocorrência, ou ser capaz de estudá-los ocultamente, ou suspender seu julgamento.

Os dados eram insuficientes para uma decisão independente no assunto.

E a maioria dos fenômenos que ocorreram na história da Sociedade está na mesma situação.

A menos que possamos aceitar a boa-fé e competência das testemunhas, ou tenhamos o poder de investigar por nós mesmos o passado, devemos forçosamente suspender nosso julgamento.

A credulidade irracional e a incredulidade irracional são ambas sinais de uma mente desequilibrada, e onde falta evidência suficiente para nos satisfazer, é claro que o certo é nos abstermos tanto da afirmação quanto da negação.

É claro que em tais assuntos cada um deve decidir por si mesmo, e que ninguém tem o direito de ditar como qualquer outro membro deve pensar.

Uma pessoa que tem um conhecimento definido pode afirmar que tais e tais coisas aconteceram, mas ela não pode reivindicar autoridade para impor sobre os outros seu conhecimento como uma prova suficiente do ocorrido, nem deve culpá-los se eles rejeitarem sua competência como testemunha.

É necessária completa liberdade para cada membro exercitar seu próprio raciocínio nestes assuntos, pelo bem da segurança e progresso da Sociedade.

A escassez de comunicações que se permitiu vir a público durante muitos anos foi uma prova da falta de equilíbrio, julgamento, bom-senso e calma na Sociedade em geral.

As pessoas passaram a considerar as comunicações dos Mestres com dúvida, suspeita e medo, e por conseguinte, já que elas causavam tanta agitação, foram ocultas, salvo quando absolutamente necessário.

Nos primeiros tempos elas eram comuns porque o fato de a porta estar aberta era largamente aceito. Agora se tornaram raras por causa do tumulto que causam.

Mas se acreditamos no que a maioria de nós aceita em teoria, que estamos vivendo em três mundos todo o tempo, e que estamos relacionados àqueles mundos através da presença de sua matéria em nossos corpos, então deveríamos considerar natural, e não antinatural, que devamos receber através de nossa matéria apropriada os impactos de cada um dos três mundos.

Nosso conhecimento deles e nossa comunicação com eles dependem de nossa receptividade a eles, e não destes mundos exteriores por si mesmos.

É sobremaneira importante para o progresso da Sociedade que, por mais verídico que seja o fato da comunicação entre estes mundos, nem o fato em si, nem qualquer instância particular dele, devem ser impostos sobre os membros da Sociedade através da autoridade, seja de modo declarado ou tácito.

Cada membro deve ser deixado livre para aceitar ou rejeitar, sob sua própria responsabilidade, aquilo que é afirmado por qualquer outro.

Se, no exercício desta discriminação, um membro rejeita o que é verdadeiro, a perda é sua, e é bem melhor que ele perca do que a Sociedade seja privada da liberdade que mantém aberto caminho do progresso.

Se a maioria da Sociedade rejeitasse uma comunicação importante e verídica, então a Sociedade como uma organização pereceria, e a minoria seria incumbida de levar adiante o trabalho.

Este foi o perigo que a Sociedade enfrentou logo depois das manifestações em Adyar, e da expressão da vontade do Mestre ao Coronel Olcott sobre a nomeação do seu sucessor.

Mas a grande maioria da Sociedade obedeceu ao desejo do Mestre, e o perigo foi evitado.

Um perigo semelhante pode novamente surgir, mas não devemos garantir segurança contra ele restringindo a liberdade dos membros de pensarem por si mesmos.

Todo membro deve ser deixado livre para crer ou descrer.

Ninguém tem o direito de dizer: "Eu acredito, portanto você deve aceitar".

Ninguém tem o direito de dizer: "Eu não acredito, portanto você deve rejeitar".

Não há coerção alguma em dizermos: "Eu sei que é verdade", não mais coerção do que dizermos "Eu sei que colocando tais e tais substâncias juntas se formará um composto explosivo"; se alguém decidir colocá-los juntos descobrirá pela sua própria experiência que aquele composto de fato se formará.

Como disse uma vez um Mestre, quando foi acusado de proferir uma ameaça porque Ele havia declarado o que sucederia em determinada linha de ação, "Uma advertência não é uma ameaça".

Estudantes antigos podem ver um perigo onde estudantes novatos não vêem, e às vezes eles são obrigados a colocar seu conhecimento a serviço do mais jovem; mas o jovem deve ser deixado livre para aceitar ou rejeitar o aviso, e, neste caso, adquirir sua própria experiência a custo do sofrimento que teria sido evitado se utilizasse a experiência dos mais velhos.


O progresso se faz ao longo de ambas as linhas, e em sua maior parte é adquirido com uma mistura de ambos os métodos.


As leis da Natureza não mudam porque as desconhecemos, e se cometemos um erro, mesmo que de boa-fé, devemos sofrer por termos andado contra a lei.


A decisão consciente fortalecerá nosso caráter, e nosso conhecimento aumentará com a experiência.


Aqueles que já conseguiram este conhecimento podem com acerto oferecê-lo aos seus companheiros - embora não possam impô-lo - pois outrossim poderiam se tornar passíveis da condenação: "Vocês sabiam que ignorantes estávamos correndo em direção ao perigo; por que não nos avisaram?"


A , como núcleo da Raça Vindoura, deve encorajar a variedade de opinião dentro de seu âmbito, a fim de que possa reunir em si todas as sementes da verdade, mesmo que estejam ocultas nas cascas do erro.


A casca se desprenderá e a semente permanecerá e crescerá.


A Sociedade jamais será destruída pela variedade de pensamento, basta praticarmos a tolerância perfeita e não colocarmos barreiras no caminho da liberdade de expressão.


Mas não encorajemos negações desencorajando afirmações, pois senão cresceremos em direção à sombra em vez de em direção à luz.


Enquanto guardamos a liberdade de pensamento e expressão e encorajamos a mais ampla discussão das diferenças, não esqueçamos da cortesia e da gentileza, senão a diferença de pensamento decairá em vituperação daqueles que pensam diferentemente de nós.


O ataque pessoal e a imputação de maus motivos são armas de ataque usadas pelo inculto e pelo vulgar, e não devem ter lugar na discussão Teosófica.

O AMOR é tão vital como o conhecimento para a construção do futuro, e o conhecimento sem amor é inútil para os Mestres-Construtores da Raça Futura.



Panfletos de Adyar nº 30

Theosophical Publishing House

Adyar, Chennai (Madras), Índia

Agosto de 1913

Primeira Impressão em 1909

Segunda Impressão em agosto de 1913

Tradução – Ricardo Frantz
Fonte: levir teosofia

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